Sunday, July 1, 2007



Fez no dia 25 um ano. Um ano desde que estreou, para além de uma peça, a realização de várias amizades, de cumplicidades, de emoções fortes e conversas inesquecíveis. Estreou uma peça - "Octávio no Mundo", de Jacinto Lucas Pires, em que eu e mais outros 4 jovens "actores" participámos.

No festival de teatro "Panos", inspirado num projecto britânico, jovens de várias escolas trabalham durante o ano lectivo uma de três peças escritas para a ocasião e apropriadas para a fase adolescente. Eu, o Simão, o Dedé, o Pedro e a Vanessa fomos cinco desses jovens. E ainda bem que o fomos!

Funcionou, pelo menos para mim, como uma terapia semanal em que a nossa maravilhosa encenadora - a professora Natália, "a miracle worker" - era uma terapeuta que, juntamente com todos os outros, me ajudava a ultrapassar o stress, a desmotivação ou outros obstáculos que enfrentava durante a semana. Só naquela hora e meia, juntávamo-nos ali e esquecíamo-nos do mundo lá fora - tínhamos espaço para sonhar, para ser quem quiséssemos ser sem ter medo de desiludir ninguém.

A miúda Júlia - a minha personagem - ficar-me-á sempre no coração, tal como o romance que viveu (e vive) com o Octávio e tal como as outras personagens, cujos protagonizadores se tornaram amigos especiais.

Foi viver uma viagem por todos os cantinhos do Mundo, sentir que nunca era demais dizer o que sentíamos. E muito especialmente, foi aproveitar cada momento único dessa viagem - tanto que não consigo ouvir alguém dizer "uma colher de sopa com sopa" sem sentir uma enorme nostalgia.

Obrigada por tudo, e muito especialmente à Natália: a nossa "mãe", a nossa guia, que nos faz ter asas para voar até onde quisermos, sem medo de cair!


Na passada Quinta-feira, fui ao Super Bock Super Rock. Depois de um dia na praia com a minha irmã, lá fui eu até ao Parque Tejo, onde estava a maior concentração de headbangers que já vi - o recinto, que não é grande, era talvez a personificação da palavra "abarrotar".
Tenho que começar por dizer que os Metallica têm sido, ao longo dos anos, uma das minhas bandas preferidas e que nunca os tinha visto antes ao vivo, embora soubesse que essa seria uma oportunidade única.
De facto, a presença da banda, e muito principalmente de James Hetfield, no palco conseguiu superar as minhas expectativas - que eram altas - embora não tenham tocado a tão esperada "Fuel", pela qual todo o público ansiava.
O fiasco (na minha opinião) dos Mastodon e Stone Sour - e para quem não sabe, eu sofro de um sentimento de repulsa em relação a qualquer coisa que tenha a ver com Slipknot - foi compensado não só pela excelente prestação dos eternos metaleiros, que pegaram no público vestido de preto e com grandes cabeleiras para darem um espectáculo surreal, cheio de energia e também melhorado pelo óptimo público português.
Para mim, o momento alto da noite foi talvez quando tocaram a "Fade to Black", que sempre foi a minha música preferida, seguido pela "Master of Puppets" e "Orion".
O corpo já doía, a sensação de claustrofobia aumentava com o concentrado daquela gente toda, mas foi um concerto lindo, fantástico e memorável - e nem os 44 anos do vocalista fizeram com que perdesse a grande energia que sempre o caracterizou!
P.S.: É engraçado como estou a escrever isto ao mesmo tempo que ouço a banda sonora d'«A Música no Coração»...

Sunday, May 13, 2007

The Mop-Heads




Era eu muito pequena, se não ainda dentro da barriga, quando me foram apresentados os Beatles. Tenho vagas memórias da minha mãe a cantar-me a "Yellow Submarine" para adormecer ou das noites entre amigos a ouvir "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club" repetidamente, mas cedo me foi claro que os meninos simpáticos de Liverpool me acompanhariam ao longo da minha vida.
Quatro rapazes, modestos e sorridentes, que eram nada mais que génios. Estou certa que se fosse uma beata religiosa, hoje tinha ido a Fátima pôr uma velinha por quem apresentou o John Lennon ao Paul McCartney. E, apesar desse estatuto quase divinal que lhes é atribuído actualmente, o que sempre gostei nos Beatles foi o facto de serem tão naturais e com um espírito tão adolescente quanto o meu - o que se reflecte nas letras, nas vozes puras e limpas e no cabelinho à esfregona, que lhes valeu a alcunha do título deste post. A capacidade que têm de me dar uma boa disposição com temas como "Here Comes the Sun" ou "Ticket to Ride" sempre me cativou e fez com que esta fosse uma das "minhas bandas".

Se viessem extraterrestres visitar o nosso planeta e pedissem para lhes mostrarmos uma banda que tivesse marcado o mundo, quem não mencionaria os Beatles?

No passado Outubro, fui a Liverpool com amigos e senti que tinha valido a pena toda a viagem e confusão nos comboios só para estar nos bares em que tinham tocado, no museu em Albert Dock [foto] e na famosa Penny Lane. Quase como um santuário! Foi por essa mesma razão que não pude perder o concerto do Paul McCartney em Lisboa - um verdadeiro momento transcendente e uma experiência extra-corporal que nunca irei esquecer.

É importante nunca deixarmos a memória destes "boys next door" e fazer com que a sua arte se prolongue pela História fora :)

E, ainda no contexto dos Beatles, é importante ver que John Lennon descreveu perfeitamente aquilo que nos falta para sermos decentes em "Imagine" - aceitarmo-nos com as nossas diferenças, derrubá-las e olhar uns para os outros como indivíduos e não como estereótipos como a raça, religião, sexo, orientação sexual, idade e todas essas coisas. Embora Ghandi tenha dito que "não existem caminhos para a paz, a paz é o caminho", não será este o primeiro passo a dar?


x x x Raquel

Sunday, April 29, 2007

First Things First





















E como o nome indica, é este o meu primeiro post!

Depois de influências de compulsivos bloguistas cá em casa e não só, decidi render-me também à comunidade e criar o meu próprio blog. E como é possível ver pelo título, vou dedicar-me ao comentário das mais diversas artes - insistindo, no entanto, na música e cinema.

E como é este o primeiro de muitos (espero eu) a primeira obra de que vou falar é um dos meus filmes preferidos, Blade Runner.

Ridley Scott tem o seu historial de genialidade no cinema, mas na minha opinião, nada se assemelha a este filme - sem dúvida, a sua obra prima. O realizador levou ao extremo a sua capacidade de criar um ambiente de tal maneira característico que consegue fazer com que o espectador se sinta incluído no desenrolar da acção.

Em Blade Runner, fala-se de uma sociedade no futuro em que são criados robots - os Replicants - que, embora artificiais, desenvolvem sentimentos tal como os seres humanos. O problema que os faz revoltarem-se é o seu limitado tempo de vida, que leva a que o caos de instale e seja preciso tomar medidas drásticas.

Faz-nos reflectir sobre o próprio objectivo da vida e sobre o tempo que cá vivemos - não seremos todos Replicants? Não temos todos uma data em que o nosso prazo de validade expira? Tal como diz Tyrell, uma das personagens, «The light that burns twice as bright burns for half as long». Será que a única coisa que nos separa dos Replicants é o tempo de vida?

Deixo-vos então com uma das cenas mais bonitas que o cinema já viu, protagonizada por um dos Replicants, o actor Rutger Hauer.